Alguém me disse que a pena é um sentimento que detesta, que não quer sentir. Como se se tratasse de algo indigno, condescendente, sujo e miserável. Fiquei a pensar nisso.
Fui ver ao dicionário, e, uma vez que neste caso claramente não se trata daquela pena que tem uma haste queratinizada e cobre o corpo dos pássaros, escolhi estas definições:
pena |ê|
(grego poinê, -ês)
s. f.
2. Grande sofrimento psicológico. = DESGOSTO, DÓ, TRISTEZA
3. Sentimento provocado por sofrimento alheio. = COMPAIXÃO, DÓ, LÁSTIMA
Nada que não soubéssemos já, digo eu. Mas assim sendo, se a pena é aquela capacidade que temos de nos condoer com a situação alheia, não será ela também muitíssimo próxima da empatia?
Quem me ensinou grandes lições de empatia foi a minha mãe, que a cada vez que eu ou os meus irmãos voltávamos da escola, a contar alguma situação do quotidano cruel das crianças, a atitude parva de x, o desconhecimento hilariante de y, o erro idiota de z, nos respondia invariavelmente “Mas já pensaste que xyz não sabe? Que nunca ninguém lhe deve ter explicado, e que com certeza se ficou a sentir muito mal por vocês gozarem todos?”
E nós reagíamos com impaciência. Frustrados na nossa tentativa de provocar o riso com uma historieta lá da escola, e porque aos nossos olhos os colegas não podiam, de repente, assumir o papel de mártire: continuavam a ser os nossos colegas tolos... Eu reagia com um revirar de olhos e um “mã-ãe”, e ficava a pensar. E às vezes tinha pena. (E no dia a seguir tentava ser mais simpática, e a criatura em causa gozava com as minhas roupas alemãs, porque miúdos são miúdos...)
Mas lá está a pena. Não decadente e reles, como uma côdea de pão atirada de má vontade, por vergonha de não dar nada (e agora vou fazer um esforço por não dizer “dourada e quente de amor universal, senão podem me pôr no manicómio), mas de compreensão e carinho por outra criatura. “Before you judge someone, walk a mile in their shoes” - e sem julgar os sapatos, de preferência.
É que a falta de empatia é triste. E não é a boa educação adquirida que a compensa. Posso ser perfeitamente bem-educada, e continuar a ser muito pouco empática. É não perceber quando é que uma piada súbtil está a magoar, apesar de a pessoa se rir. É aquele momento de rispidez que não precisava ser público. É uma palavra ou um gesto leviano. Não precisa ser por mal, basta não... sentir empatia.
Com isto não quero dizer que devíamos andar cheios de lágrimas nos cantos dos olhos a oferecer paninhos quentes uns aos outros. Mas que se calhar ser amigo por vezes significa defender o outro mesmo quando sabemos que ele não tem razão.
Na minha opinião, a pena é um sentimento que nos faz humanos, no sentido mais belo da palavra. (Se é que ainda sobra algum sentido belo). A pena de hoje pode ser o carinho de amanhã, e a palha salvadora depois de amanhã. Não é por nascer de pena que um acto e menos valido. Já todos fomos, em alturas diferentes da nossa vida, destinatários e emissores de pena, nem sempre fundamentada, talvez, mas isso não nos faz desprezíveis ou fracos, mas sim importantes.
Pobre aquele que não tem ninguém que se condoa com ele. Há que saber é como materializá-la. Não queremos criar desgraçadinhos, e mais vale ensinar a pescar do que dar um peixe, mas ainda que isso seja verdade, há dias em que nada sabe melhor do que chegar a casa e ter um peixe na mesa – e logo podemos ir pescar no dia a seguir.
Tendo-se iniciado com o meu Grand Tour, o meu interrail em Julho/Agosto de 2010, aqui pretendo publicar todo o tipo de divagações, desabafos, pensamentos, tretas, calúnias, mentiras escabrosas e mais o que me apetecer. In my castle, I'm my queen. Don't like it? Complain! And a great amount of good it will do you...
quinta-feira, 5 de abril de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Breves...
Aquele pequeno momento em que acordamos, e temos perfeita noção que daí a escassos segundos nos vamos recordar de qualquer coisa horrível, que está ali, mesmo à margem da consciência.
E enquanto ainda pairamos no limbo de doce oblivion, só nos ocorre: Me*da, não quero nada lembrar-me de... e ZAU! A porcaria que temíamos atinge-nos com toda a sua realidade nojenta, e já não dá para estar feliz e quentinha na cama.
Já há muito que não tinha um momento destes.
E enquanto ainda pairamos no limbo de doce oblivion, só nos ocorre: Me*da, não quero nada lembrar-me de... e ZAU! A porcaria que temíamos atinge-nos com toda a sua realidade nojenta, e já não dá para estar feliz e quentinha na cama.
Já há muito que não tinha um momento destes.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Os conselhos do Winston 1
O Winston por vezes lembra-me o Bruno Aleixo. Sim, aquele ursinho irritante (é este o momento em que os fãs de Starwars reviram os olhos, pois o bicho chama-se um eewoky ou lá o que é) ao qual os nossos humoristas nacionais tiveram de acrescentar uma cabeça de cão, por razões de copyright relacionadas com “dois americanos, o Jorge, e o Lucas”.
Porque e que eu digo isto? Maioritariamente porque ele tem uns olhinhos de semelhante penetrância, e, depois, porque dá uns conselhos de semelhante…falta-me a palavra…semelhante falta de nexo.
Assim, vê o mundo à sua imagem, eu passo a vida a ouvir os seus pensamentozinhos irritantes, e, enfim, há dias em que me irrito, e há dias em que dá vontade de rir.
No outro dia encontrava-se (amuado) enroscado no sofá, com uma das suas numerosas tias, que sofrera recentemente um desgosto amoroso, estando adequadamente miserável, quando avançou com o seguinte diálogo:
W: - O Úinston tá triste.
Titi: - Pois, a titi também está triste…
W: - Também perdeste o Frisbee?
Titi: - Foi mais ou menos isso…mas eu gostava muito do meu “Frisbee”.
W: - Não se pode ficar assim por causa de um frisbee. Depois a mãe traz mais. O Úinston já teve muitos…
Titi (crescentemente angustiada) : - Pois, mas…
W: - O problema é ficar agarrada só a um frisbee…! Não pode! Tens de ter muitos frisbees, muitas bolas, pelo menos um kong, e vários outros toys, tipo cordas e churros. Assim quando perdes um, não ficas nesse estado.
Titi: - Muitos frisbees???
W: - Sim sim. Aposto que o teu nem era nada de jeito. O meu primeiro era de plástico, não voava muito bem, magoava as gengivas, e ainda assim eu achava que era o melhor do mundo, imagina. O teu magoava as gengivas?
Titi: - Magoava várias coisas. Das gengivas não me lembro…e agora perdi-o.
W: - Era de plástico. Se magoava, era de plástico. Tens de ter um de borracha, esses é que são bons! Se o perdeste, deixa, logo outra titi o apanha, e, se for suficientemente parva ainda se diverte com ele!
Titi: - *Soluços de angústia*
E assim a criatura põe-me as amigas mais deprimidas, em vez de ter o efeito calmante e animador que alegadamente os cães têm sobre a psique humana…
Porque e que eu digo isto? Maioritariamente porque ele tem uns olhinhos de semelhante penetrância, e, depois, porque dá uns conselhos de semelhante…falta-me a palavra…semelhante falta de nexo.
Assim, vê o mundo à sua imagem, eu passo a vida a ouvir os seus pensamentozinhos irritantes, e, enfim, há dias em que me irrito, e há dias em que dá vontade de rir.
No outro dia encontrava-se (amuado) enroscado no sofá, com uma das suas numerosas tias, que sofrera recentemente um desgosto amoroso, estando adequadamente miserável, quando avançou com o seguinte diálogo:
W: - O Úinston tá triste.
Titi: - Pois, a titi também está triste…
W: - Também perdeste o Frisbee?
Titi: - Foi mais ou menos isso…mas eu gostava muito do meu “Frisbee”.
W: - Não se pode ficar assim por causa de um frisbee. Depois a mãe traz mais. O Úinston já teve muitos…
Titi (crescentemente angustiada) : - Pois, mas…
W: - O problema é ficar agarrada só a um frisbee…! Não pode! Tens de ter muitos frisbees, muitas bolas, pelo menos um kong, e vários outros toys, tipo cordas e churros. Assim quando perdes um, não ficas nesse estado.
Titi: - Muitos frisbees???
W: - Sim sim. Aposto que o teu nem era nada de jeito. O meu primeiro era de plástico, não voava muito bem, magoava as gengivas, e ainda assim eu achava que era o melhor do mundo, imagina. O teu magoava as gengivas?
Titi: - Magoava várias coisas. Das gengivas não me lembro…e agora perdi-o.
W: - Era de plástico. Se magoava, era de plástico. Tens de ter um de borracha, esses é que são bons! Se o perdeste, deixa, logo outra titi o apanha, e, se for suficientemente parva ainda se diverte com ele!
Titi: - *Soluços de angústia*
E assim a criatura põe-me as amigas mais deprimidas, em vez de ter o efeito calmante e animador que alegadamente os cães têm sobre a psique humana…
As coisas que nos unem: Pelicula Aderente
Como já dizia o grande humorista estado-unidense George Carlin, há que olhar as pequenas coisas que nos unem, e não as grandes coisas que nos separam, e sob este mote vou começar a analisar várias circunstâncias comuns à vida de quase todos nós, começando, não pela cereja no topo do bolo, mas sim pela película aderente por cima da cereja no topo do bolo.
Isto por causa de uma coisa que li, recentemente, num estado de uma amiga, na nossa infame rede social. (que nos faz gordas e cheias de celulite, uma vez que não temos tempo para ir jogar futsal ou fazer pilates, mas temos horas de tempo útil a serem desperdiçadas a ver fotos e a ler as ejaculações mentais de um monte de pessoas às quais não falaríamos se nos cruzássemos com elas na rua.) Mas divago: não quero entrar em modo “hate”, estava-me a sentir pacífica e a querer unificar a humanidade, prossigamos. E por vezes há pérolas da inspiração, pelos vistos. Concentremo-nos nisso!
Dizia então:
De-tes-to película aderente... especialmente quando ganha vida própria e se encaracola toda e fica intratável...
(o que também pode ser falta de jeito, mas prefiro pensar que não e acusar a dita película...) *
E, ali estava. Em duas ou três pequenas frases, uma dificuldade técnica comum a toda a humanidade – ou pelo menos a toda a humanidade dita civilizada, utilizadora de película aderente. Uma invenção que não parece ter função útil para além de nos irritar e tornar mais profunda a pegada ecológica com que esmagamos a tenrinha relva metafórica que reveste o nosso planeta.
Temos várias opções: Ou somos neat-freaks que conservam a sua película num dispensador xpto que parece a boca de um crocodilo extremamente braquicéfalo, e que tem a desvantagem de não ser móvel, desvantagem essa, que para uma proto-veterinária se torna grande. Isto uma vez que as coisas que por vezes quero película-aderentar podem ser todo o tipo de objectos/organismos/excreções que a minha mamã - apesar de hippie e free-spirit - não almeja visionar na sua cozinha… (Atão acreditam que não me deixou fazer a minha coporocultura no frigorífico?? Nem enrolada em 3 sacos… é um obstáculo ao avanço da ciência a malvada!)
Opção dois: Deixamos o rolo de película no interior da caixa de papelão em que vem, que tem uma espécie de serrilha de dentículos, semelhante àquela que alguns parasitas intestinais ostentam na sua cápsula bucal (perdão, vou-me já controlar, é o curso, desculpem). Mas aí geralmente a ponta é engolida, e depois a caixa amachuca-se, e, enfim, acabamos por ter de desmontar tudo e recorrer à opção 3),
O rolo nú e crú: Muito razoável. Se é para lutar, que seja honestamente, cara-a-cara. Recipiente contra película. Os adversários medem-se. Rolo na diagonal. Tenta-se um rasgar uniforme. Obtém-se um esticar elástico que termina num rasgão elástico que se estende exactamente na direcção errada, e depois não há como parar. Começou, é para acabar. Os dois. Lá fora. Resultado: Um triângulo distendido e cheio de dedadas que não chega para cobrir o que queríamos preservar, e que por fim e amachucado numa bola frustrada e opaca, que vai para o saco amarelo.
Menos algumas vezes. Algumas vezes conseguimos arrancar o pedaço ideal, mas é uma satisfação efémera, que dura exactamente até, com mãos carinhosas, o tentarmos alapar às bordas do recipiente, só para descobrir que NÃO ADERE!! Não adere. A **** não adere. A plague on thy house! Não mereces o nome que te deram.
É a película e o seu primo de alto gabarito, a folha de alumínio. Snob pretensioso. Sempre com a ponta agarrada e quando se puxa não é a camada certa, e depois começa a desenrolar só uma pequena porção, que quer desenrolar até ao infinito, e…e…e …ARGHHHHHHHH….
Isto por causa de uma coisa que li, recentemente, num estado de uma amiga, na nossa infame rede social. (que nos faz gordas e cheias de celulite, uma vez que não temos tempo para ir jogar futsal ou fazer pilates, mas temos horas de tempo útil a serem desperdiçadas a ver fotos e a ler as ejaculações mentais de um monte de pessoas às quais não falaríamos se nos cruzássemos com elas na rua.) Mas divago: não quero entrar em modo “hate”, estava-me a sentir pacífica e a querer unificar a humanidade, prossigamos. E por vezes há pérolas da inspiração, pelos vistos. Concentremo-nos nisso!
Dizia então:
De-tes-to película aderente... especialmente quando ganha vida própria e se encaracola toda e fica intratável...
(o que também pode ser falta de jeito, mas prefiro pensar que não e acusar a dita película...) *
E, ali estava. Em duas ou três pequenas frases, uma dificuldade técnica comum a toda a humanidade – ou pelo menos a toda a humanidade dita civilizada, utilizadora de película aderente. Uma invenção que não parece ter função útil para além de nos irritar e tornar mais profunda a pegada ecológica com que esmagamos a tenrinha relva metafórica que reveste o nosso planeta.
Temos várias opções: Ou somos neat-freaks que conservam a sua película num dispensador xpto que parece a boca de um crocodilo extremamente braquicéfalo, e que tem a desvantagem de não ser móvel, desvantagem essa, que para uma proto-veterinária se torna grande. Isto uma vez que as coisas que por vezes quero película-aderentar podem ser todo o tipo de objectos/organismos/excreções que a minha mamã - apesar de hippie e free-spirit - não almeja visionar na sua cozinha… (Atão acreditam que não me deixou fazer a minha coporocultura no frigorífico?? Nem enrolada em 3 sacos… é um obstáculo ao avanço da ciência a malvada!)
Opção dois: Deixamos o rolo de película no interior da caixa de papelão em que vem, que tem uma espécie de serrilha de dentículos, semelhante àquela que alguns parasitas intestinais ostentam na sua cápsula bucal (perdão, vou-me já controlar, é o curso, desculpem). Mas aí geralmente a ponta é engolida, e depois a caixa amachuca-se, e, enfim, acabamos por ter de desmontar tudo e recorrer à opção 3),
O rolo nú e crú: Muito razoável. Se é para lutar, que seja honestamente, cara-a-cara. Recipiente contra película. Os adversários medem-se. Rolo na diagonal. Tenta-se um rasgar uniforme. Obtém-se um esticar elástico que termina num rasgão elástico que se estende exactamente na direcção errada, e depois não há como parar. Começou, é para acabar. Os dois. Lá fora. Resultado: Um triângulo distendido e cheio de dedadas que não chega para cobrir o que queríamos preservar, e que por fim e amachucado numa bola frustrada e opaca, que vai para o saco amarelo.
Menos algumas vezes. Algumas vezes conseguimos arrancar o pedaço ideal, mas é uma satisfação efémera, que dura exactamente até, com mãos carinhosas, o tentarmos alapar às bordas do recipiente, só para descobrir que NÃO ADERE!! Não adere. A **** não adere. A plague on thy house! Não mereces o nome que te deram.
É a película e o seu primo de alto gabarito, a folha de alumínio. Snob pretensioso. Sempre com a ponta agarrada e quando se puxa não é a camada certa, e depois começa a desenrolar só uma pequena porção, que quer desenrolar até ao infinito, e…e…e …ARGHHHHHHHH….
domingo, 25 de dezembro de 2011
As mulheres são todas iguais (?)
Eu e a minha estúpida mania de fazer zapping no rádio porque só dão anúncios enquanto conduzo, enquanto olho para o retrovisor pra ver quantos carros tenho atrás de mim, baixo a pála do sol e vejo se não tenho borrões nos olhos, e entretanto mexo no cabelo, e dou uma olhada ao telemóvel e, cúmulo dos cúmulos... como um Kinder Bueno... que entretanto partilho com o banco do carro e as minhas calças lavadinhas...
Este pequeno parágrafo no FB de uma boa amiga deu-me que pensar. Há uma coisa que eu detesto que me digam: “Vocês são…”. É um bom início de frase para me despoletar. Vocês quem???
A resposta geralmente é “vocês, as mulheres…”. Pois bem, eu não sou AS mulheres. Na melhor das hipóteses sou UMA mulher, e se há coisa que não me cai bem é ser generalizada com uma infinidade de seres tão díspares uns dos outros quanto…sei lá…quanto carros! Isso, carros. Aí está qualquer coisa com que vocês, os homens, se devem conseguir identificar: Dizer que “as mulheres” são iguais, é como dizer, a quem quer comprar um BMW: “Oh, compra antes um Fiat Panda, é a mesma coisa, e fica-te mais em conta!”.
Mas esperem…ups…acho que estou a cair no mesmo erro! O que eu quero dizer é que eu sou um…um…sei lá, um Land Rover com alguns defeitos na transmissão, e não tenho nada a ver com um Ford Ka, ou com um Micra a não ser o facto de ter 4 rodas. A maior parte das vezes, pelo menos. Depois, há alturas em que me sinto num parque de vendas da Peugeot, recheado de modelos absolutamente iguais. Sim, porque há alturas em que, afinal de contas, somos um bocadinho iguais.
Concordo que a pala do sol, com o vanity mirror no interior, é dos acessórios mais importantes no interior de um carro, por exemplo. Vivo lindamente sem ar condicionado, mas nada me faz mais confusão que baixar uma destas palas e não ver NADA. Por momentos dá-me aquele choque de sentir que fiquei invisível ou invisual, e depois uma frustração em nada proporcional à situação: ELPE! E se estou com borrões nos olhos…? Ou com pêlos no nariz? (Não que eu consiga fazer alguma coisa aos pêlos, enquanto conduzo, se os tiver, mas sempre me consciencializo, certo?) Começo logo a encontrar borbulhas que precisaria, imediatamente, de verificar ao espelho…
E a questão do telemóvel… grande chis-dê, em vocabulário afeicebucalhado! Por vezes chega a parecer um ritual: Zapp no rádio – espreita o espelho – vê o telemóvel – zapp no rádio … E é ridículo: Temos o raio do engenho a vibrar, não sentimos vibração, ergo: Não temos nada de novo nele, não vale a pena carregar para confirmar. E ainda assim confirmamos. E depois espreitamos o espelho, para ver se tá tudo no sítio, caso nos cruzemos com a pessoa que não nos está a mandar mensagens… E o pior de tudo, é ter noção perfeita de quão ridículo isto tudo é. Sabemos que nos maquilhámos em casa, que estava tudo bem, e sabemos que não há mensagens novas no telemóvel.
Mas, já agora, vamos dar uma vistinha de olhos… e um toque na franja.
PS: Fiquei mais descansada agora: sempre há uma parte crucial do texto da minha amiga com a qual não me identifico nada: As calças lavadinhas. Isso eu de facto não tenho, nem quase me lembro o que seja. Afinal, sempre somos todas diferentes umas das outras. Dois pontos – Tracinho – Dê.
Este pequeno parágrafo no FB de uma boa amiga deu-me que pensar. Há uma coisa que eu detesto que me digam: “Vocês são…”. É um bom início de frase para me despoletar. Vocês quem???
A resposta geralmente é “vocês, as mulheres…”. Pois bem, eu não sou AS mulheres. Na melhor das hipóteses sou UMA mulher, e se há coisa que não me cai bem é ser generalizada com uma infinidade de seres tão díspares uns dos outros quanto…sei lá…quanto carros! Isso, carros. Aí está qualquer coisa com que vocês, os homens, se devem conseguir identificar: Dizer que “as mulheres” são iguais, é como dizer, a quem quer comprar um BMW: “Oh, compra antes um Fiat Panda, é a mesma coisa, e fica-te mais em conta!”.
Mas esperem…ups…acho que estou a cair no mesmo erro! O que eu quero dizer é que eu sou um…um…sei lá, um Land Rover com alguns defeitos na transmissão, e não tenho nada a ver com um Ford Ka, ou com um Micra a não ser o facto de ter 4 rodas. A maior parte das vezes, pelo menos. Depois, há alturas em que me sinto num parque de vendas da Peugeot, recheado de modelos absolutamente iguais. Sim, porque há alturas em que, afinal de contas, somos um bocadinho iguais.
Concordo que a pala do sol, com o vanity mirror no interior, é dos acessórios mais importantes no interior de um carro, por exemplo. Vivo lindamente sem ar condicionado, mas nada me faz mais confusão que baixar uma destas palas e não ver NADA. Por momentos dá-me aquele choque de sentir que fiquei invisível ou invisual, e depois uma frustração em nada proporcional à situação: ELPE! E se estou com borrões nos olhos…? Ou com pêlos no nariz? (Não que eu consiga fazer alguma coisa aos pêlos, enquanto conduzo, se os tiver, mas sempre me consciencializo, certo?) Começo logo a encontrar borbulhas que precisaria, imediatamente, de verificar ao espelho…
E a questão do telemóvel… grande chis-dê, em vocabulário afeicebucalhado! Por vezes chega a parecer um ritual: Zapp no rádio – espreita o espelho – vê o telemóvel – zapp no rádio … E é ridículo: Temos o raio do engenho a vibrar, não sentimos vibração, ergo: Não temos nada de novo nele, não vale a pena carregar para confirmar. E ainda assim confirmamos. E depois espreitamos o espelho, para ver se tá tudo no sítio, caso nos cruzemos com a pessoa que não nos está a mandar mensagens… E o pior de tudo, é ter noção perfeita de quão ridículo isto tudo é. Sabemos que nos maquilhámos em casa, que estava tudo bem, e sabemos que não há mensagens novas no telemóvel.
Mas, já agora, vamos dar uma vistinha de olhos… e um toque na franja.
PS: Fiquei mais descansada agora: sempre há uma parte crucial do texto da minha amiga com a qual não me identifico nada: As calças lavadinhas. Isso eu de facto não tenho, nem quase me lembro o que seja. Afinal, sempre somos todas diferentes umas das outras. Dois pontos – Tracinho – Dê.
Falando de Pro-formas de Natal
Há aquele – como diriam os brasileiros – aquele negócio do milagre natalício. O resultado da imaculada concepção, comemorada a 8 de Dezembro (nunca percebi como é que isto bate certo com um tempo de gestação mais ou menos fisiológico, mas pronto, tenhamos fé), e bafejado por vários tipos de ruminantes, por exemplo. Ou o velhaco Scrooge a cair em si e a salvar o pequeno, enfezado, tísico e fracote Tim.
Mas eu hoje quero mesmo abrir uma categoria nova: Os mistérios de Natal.
Vou-me debruçar sobre um mistério específico, e, como não podia deixar de ser, não é para falar bem. E é este o mistério das mensagens pro-forma. Sim. São aquelas sms - sem dúvida bem-intencionadas - mas absolutamente inúteis que me entopem o telemóvel nas alturas de festa, com destaque para a quadra presente. E noto que a cada ano que passa me torno menos tolerante. Estou quase a atingir o patamar da má-educação em que respondo com vocabulário personalizado mas pouco senhoril a recomendar que coloquem tais manifestações de espírito natalício onde o sol não brilha e os Oxiurus vermicularis se contorcem. Calma, ainda não estou lá. Mas que me falta a pachorra, falta. E é para todas! TODAS.
As que tentam ser engraçadinhas e falam de renas bêbedas, Pais Natal em greve e traseiros de duende; as melosamente sinceras à la chapa 7, que querem honestamente que todos os meus desejos mais íntimos se realizem (acreditem, you don’t!), ou que me categorizam como “aqueles que … [inserir opção com a qual se identifique]; as artisticamente empenhadas, que armam pinheirinhos de asteriscos com bolas de parênteses (ou parêntesis); em suma todo o resultado de polegares velozes que me leva a pensar que eu sou “todos os amigos”, “uma pessoa especial”, “vocês” ou mesmo só um “tu”. Yeah Yeah, everyone is special. Which is the same as saying no one is.
Pessoal, acreditem, não me sinto minimamente especial ou honrada por meterem uma gaivota, um certinho, um tick, chamem o que quiserem ao tal rabisco que indica “selecionar”, na vossa extensa lista de contactos, para que eu receba uma mensagemzinha que toda a gente recebe, e que ainda por cima deve ser à BORLA.
Não é natalício. Não é fixe. E muito honestamente, acho que ninguém lê essas mensagens até ao fim. Ou então só pessoal idoso que não percebe que dá para fazer isso com um telemóvel. (Desculpe arruinar a imagem do seu sobrinho carinhoso e poeta, Tia Estrudes!)
E o cúmulo é quando elas começam a aparecer repetidas…! Segurem-me!
Enfim, o que eu queria mesmo pedir, muito sincera e honestamente, e do fundo do meu coração, e com carinho e amor, é que se não dá para me escreverem uma mensagem que se dirija a MIM directamente, e que me permita perceber isso, então deixem, não faz mal, adoro-vos na mesma, e irritam-me menos.
Portanto, a todos os que me leram, um santo Natal e que desembrulhem muitos presentes cheios de amor e paz e mais tudo o que desejam, vocês, meus amigos especiais, que estão sempre ao meu lado, e vai um brinde de vinho quente!
Mas eu hoje quero mesmo abrir uma categoria nova: Os mistérios de Natal.
Vou-me debruçar sobre um mistério específico, e, como não podia deixar de ser, não é para falar bem. E é este o mistério das mensagens pro-forma. Sim. São aquelas sms - sem dúvida bem-intencionadas - mas absolutamente inúteis que me entopem o telemóvel nas alturas de festa, com destaque para a quadra presente. E noto que a cada ano que passa me torno menos tolerante. Estou quase a atingir o patamar da má-educação em que respondo com vocabulário personalizado mas pouco senhoril a recomendar que coloquem tais manifestações de espírito natalício onde o sol não brilha e os Oxiurus vermicularis se contorcem. Calma, ainda não estou lá. Mas que me falta a pachorra, falta. E é para todas! TODAS.
As que tentam ser engraçadinhas e falam de renas bêbedas, Pais Natal em greve e traseiros de duende; as melosamente sinceras à la chapa 7, que querem honestamente que todos os meus desejos mais íntimos se realizem (acreditem, you don’t!), ou que me categorizam como “aqueles que … [inserir opção com a qual se identifique]; as artisticamente empenhadas, que armam pinheirinhos de asteriscos com bolas de parênteses (ou parêntesis); em suma todo o resultado de polegares velozes que me leva a pensar que eu sou “todos os amigos”, “uma pessoa especial”, “vocês” ou mesmo só um “tu”. Yeah Yeah, everyone is special. Which is the same as saying no one is.
Pessoal, acreditem, não me sinto minimamente especial ou honrada por meterem uma gaivota, um certinho, um tick, chamem o que quiserem ao tal rabisco que indica “selecionar”, na vossa extensa lista de contactos, para que eu receba uma mensagemzinha que toda a gente recebe, e que ainda por cima deve ser à BORLA.
Não é natalício. Não é fixe. E muito honestamente, acho que ninguém lê essas mensagens até ao fim. Ou então só pessoal idoso que não percebe que dá para fazer isso com um telemóvel. (Desculpe arruinar a imagem do seu sobrinho carinhoso e poeta, Tia Estrudes!)
E o cúmulo é quando elas começam a aparecer repetidas…! Segurem-me!
Enfim, o que eu queria mesmo pedir, muito sincera e honestamente, e do fundo do meu coração, e com carinho e amor, é que se não dá para me escreverem uma mensagem que se dirija a MIM directamente, e que me permita perceber isso, então deixem, não faz mal, adoro-vos na mesma, e irritam-me menos.
Portanto, a todos os que me leram, um santo Natal e que desembrulhem muitos presentes cheios de amor e paz e mais tudo o que desejam, vocês, meus amigos especiais, que estão sempre ao meu lado, e vai um brinde de vinho quente!
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
GPS e Mikey
E depois há a questão do GPS.
Desde há alguns anos atrás tem-se vindo a popularizar o uso destes pequenos aparelhos conhecidos por Jêpêésse… sem nunca nos lembrarmos que a sigla significa “Global Positioning System” (cááála-te, se não tivesse acabado de escrever também não te lembravas!). De início muito dispendiosos e raros, estão agora ao alcance de (quase) qualquer bolso determinado em possuir um, e, por consequência, proliferam que nem cogumelos nos tabliers dos carros pessoais.
No meu não. Proliferam muitas coisas no meu carro, um Toyota Corolla de nome Mikey, mas Jêpêésses não são uma delas. Proliferam nele, por exemplo: lixo, pó, sujidade entranhada, pêlos de cão, tralha... Tralha é como quem diz: faz-me tudo falta!
Imaginemos que fico empanada no meio de uma estrada deserta, (Vá, numa hora em que o próximo carro com seres vivos do sexo masculino, prontos a ajudar, está muito, muito longe), e imaginem que não tenho, pelo menos:
um telefone com carregador,
comida,
água,
uma gamela para os cães,
os cães,
comida para os cães,
um canivete,
uma colher para comer a comida (minha e dos cães),
um machado para me defender e/ou matar e poder comer os cães,
um cobertor,
uma muda de roupa confortável para fugir ou arranjar o carro,
uma muda de roupa sensual para convencer alguém a fazê-lo por mim,
um livro para me entreter,
um frisbee para entreter o cão,
uma bola para entreter a cadela, e impedir que se embrulhe à luta com o cão, por causa do frisbee, e ainda
umas antenas de rena, só naquela??!!
Não pode ser, obviamente. Como vêem, não é tralha, são, na verdade, utilidades que me permitem viver no carro, como qualquer pessoa que se preze. E não imaginam a trabalheira que é redistribuir todos estes objectos quando alguma pessoa bem intencionada agarrou tudo e pôs em caixas, em prol da limpeza e arrumação do veículo.
Ah, e depois sou eu a hippie doida, porque tenho de comer iogurtes com o dedo, porque me jogaram a colher de plástico (suja) fora! E tenho de comprar pacotinhos de pó no ebay porque senão como é que explico o caminho para não-sei-aonde a alguém, com um croqui desenhado no tablier?
Posto isto, não tenho GPS. Sou da velha guarda. Para além de que já me dá uma trabalheira dos diabos descortinar qualquer comando de TV com mais de 6 botões (on/off, P+, P-, Vol+, Vol- e mute), e não sinto necessidade alguma de me meter em mais geringonças. Alternativamente, perco-me. Perco-me, e depois encontro-me. Da segunda vez a mesma coisa, e da terceira sei o caminho. Durante uns meses. E depois recomeçamos o ciclo. Parece um método aceitável, não?
Até porque o GPS funciona como o “luring”, no treino canino. É engraçado usar, mas deve ser eliminado rapidamente porque abranda a aprendizagem, uma vez que o animal não precisa de pensar, vai só seguir a recompensa.
E até porque aquela do “eu uso o GPS para não me perder” não cola! Certo amigo meu após umas 2 horas às voltas no mato, entre instruções de por favor faça inversão de marcha quando possível chegou ao topo de uma falésia, ao que a senhora docemente o instruiu: siga em frente cerca de 150 metros, o que felizmente a boa luminosidade e o senso comum não lhe permitiram fazer. O GPS voou pela janela, e passado meia hora o rapaz seguia para casa pelo IP mais próximo. So much for technologies.
Mas a minha teoria é outra: A mim, quer-me parecer que as pessoas, ou talvez não deva generalizar, mas um certo tipo de pessoas quezilentas e beligerantes, arranjam estes aparelhinhos demoníacos só para terem alguém com quem discordar e com quem discutir.
Ligam o seu GPS ancestral e económico, já a reclamar que vai demorar 20 minutos a encontrar sinal (e dizem isto cheias de satisfação, deus as livre de o ligarem com antecedência, e de perderem a oportunidade de se arreliarem), e uma vez que a maquineta se orienta e começa a cuspir instruções insistentes e irritantes, aí é que é. Nem pensar em segui-las! Antes pelo contrário! Após 200 metros siga pela 2ª saída da rotunda. Parece razoável? HAH! Exclama a condutora. Cala o bico! Deves perceber uma grande coisa disto! E enfia pela primeira rua à esquerda. Por favor vire à direita. Essa é que era boa!! À direita?? Quando vejo o mar à esquerda? HAH, deves ter uma sorte! Vire ligeiramente à esquerda, aconselha a senhora, enquanto o condutor quase se despista numa curva em cotovelo, que já só conseguiu fazer em duas rodas…
E eu rio-me. Rio-me, encosto, e desdobro o meu fantástico mapa de Portugal, que demora cerca de 5 minutos a redobrar correctamente, mas pelo menos não me responde com maldade e insolência, que tenho cá muito pouca paciência para essas coisas.
Saídas esquisitas das rotundas de hoje que eram os cruzamentos de ontem e possivelmente são os túneis de amanhã… haja paciência, e um paninho para a embrulhar. E para limpar o vidro, que alguém guardou o meu limpa-vidros numa caixa.
Desde há alguns anos atrás tem-se vindo a popularizar o uso destes pequenos aparelhos conhecidos por Jêpêésse… sem nunca nos lembrarmos que a sigla significa “Global Positioning System” (cááála-te, se não tivesse acabado de escrever também não te lembravas!). De início muito dispendiosos e raros, estão agora ao alcance de (quase) qualquer bolso determinado em possuir um, e, por consequência, proliferam que nem cogumelos nos tabliers dos carros pessoais.
No meu não. Proliferam muitas coisas no meu carro, um Toyota Corolla de nome Mikey, mas Jêpêésses não são uma delas. Proliferam nele, por exemplo: lixo, pó, sujidade entranhada, pêlos de cão, tralha... Tralha é como quem diz: faz-me tudo falta!
Imaginemos que fico empanada no meio de uma estrada deserta, (Vá, numa hora em que o próximo carro com seres vivos do sexo masculino, prontos a ajudar, está muito, muito longe), e imaginem que não tenho, pelo menos:
um telefone com carregador,
comida,
água,
uma gamela para os cães,
os cães,
comida para os cães,
um canivete,
uma colher para comer a comida (minha e dos cães),
um machado para me defender e/ou matar e poder comer os cães,
um cobertor,
uma muda de roupa confortável para fugir ou arranjar o carro,
uma muda de roupa sensual para convencer alguém a fazê-lo por mim,
um livro para me entreter,
um frisbee para entreter o cão,
uma bola para entreter a cadela, e impedir que se embrulhe à luta com o cão, por causa do frisbee, e ainda
umas antenas de rena, só naquela??!!
Não pode ser, obviamente. Como vêem, não é tralha, são, na verdade, utilidades que me permitem viver no carro, como qualquer pessoa que se preze. E não imaginam a trabalheira que é redistribuir todos estes objectos quando alguma pessoa bem intencionada agarrou tudo e pôs em caixas, em prol da limpeza e arrumação do veículo.
Ah, e depois sou eu a hippie doida, porque tenho de comer iogurtes com o dedo, porque me jogaram a colher de plástico (suja) fora! E tenho de comprar pacotinhos de pó no ebay porque senão como é que explico o caminho para não-sei-aonde a alguém, com um croqui desenhado no tablier?
Posto isto, não tenho GPS. Sou da velha guarda. Para além de que já me dá uma trabalheira dos diabos descortinar qualquer comando de TV com mais de 6 botões (on/off, P+, P-, Vol+, Vol- e mute), e não sinto necessidade alguma de me meter em mais geringonças. Alternativamente, perco-me. Perco-me, e depois encontro-me. Da segunda vez a mesma coisa, e da terceira sei o caminho. Durante uns meses. E depois recomeçamos o ciclo. Parece um método aceitável, não?
Até porque o GPS funciona como o “luring”, no treino canino. É engraçado usar, mas deve ser eliminado rapidamente porque abranda a aprendizagem, uma vez que o animal não precisa de pensar, vai só seguir a recompensa.
E até porque aquela do “eu uso o GPS para não me perder” não cola! Certo amigo meu após umas 2 horas às voltas no mato, entre instruções de por favor faça inversão de marcha quando possível chegou ao topo de uma falésia, ao que a senhora docemente o instruiu: siga em frente cerca de 150 metros, o que felizmente a boa luminosidade e o senso comum não lhe permitiram fazer. O GPS voou pela janela, e passado meia hora o rapaz seguia para casa pelo IP mais próximo. So much for technologies.
Mas a minha teoria é outra: A mim, quer-me parecer que as pessoas, ou talvez não deva generalizar, mas um certo tipo de pessoas quezilentas e beligerantes, arranjam estes aparelhinhos demoníacos só para terem alguém com quem discordar e com quem discutir.
Ligam o seu GPS ancestral e económico, já a reclamar que vai demorar 20 minutos a encontrar sinal (e dizem isto cheias de satisfação, deus as livre de o ligarem com antecedência, e de perderem a oportunidade de se arreliarem), e uma vez que a maquineta se orienta e começa a cuspir instruções insistentes e irritantes, aí é que é. Nem pensar em segui-las! Antes pelo contrário! Após 200 metros siga pela 2ª saída da rotunda. Parece razoável? HAH! Exclama a condutora. Cala o bico! Deves perceber uma grande coisa disto! E enfia pela primeira rua à esquerda. Por favor vire à direita. Essa é que era boa!! À direita?? Quando vejo o mar à esquerda? HAH, deves ter uma sorte! Vire ligeiramente à esquerda, aconselha a senhora, enquanto o condutor quase se despista numa curva em cotovelo, que já só conseguiu fazer em duas rodas…
E eu rio-me. Rio-me, encosto, e desdobro o meu fantástico mapa de Portugal, que demora cerca de 5 minutos a redobrar correctamente, mas pelo menos não me responde com maldade e insolência, que tenho cá muito pouca paciência para essas coisas.
Saídas esquisitas das rotundas de hoje que eram os cruzamentos de ontem e possivelmente são os túneis de amanhã… haja paciência, e um paninho para a embrulhar. E para limpar o vidro, que alguém guardou o meu limpa-vidros numa caixa.
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