sábado, 2 de março de 2013

My Best Human Boy


Aquela cor de cabelo à qual dou por mim a chamar loiro-cascais, porque parece ser uma mutação genética muito frequente na linha de Cascais, com maior taxa de incidência quanto mais nos aproximamos do Guincho e da Quinta da Marinha... Um castanho-claro de quem foi muito loiro em criança, e que agora mantém umas pontas mais claras porque tem o privilégio de poder passar muitas horas ao ar livre a surfar, a andar de bicicleta, a voar kites ou sei lá mais o que os putos ricos e desocupados fazem durante as tardes de verão intermináveis quando as vivendas são coladas às dunas...

Aquele castanho-claro que outrora foi mesmo loiro, e que, somehow, o continua a ser. Que vem com uns olhos cor de mar, entre o verde e o azul, dependendo da luz e do polo, ou com um pouco mais azar, e como no teu caso, com um castanho avelã. Olhos de mel. Com pintinhas douradas. Um sorriso só com meia-boca. E com esse sorriso vem uma saudade enorme de qualquer coisa, qualquer coisa que nem sei bem definir, qualquer coisa que não sei se já tive, se existe, ou se é história de livros.

Sabor a sal e a calippos de morango, que eu detesto mas tu adoras – não podes ser perfeito! - cheiro a cera de prancha de surf e conversas sobre Eça de Queirós e estribos western... As madeixas suaves em contraste com as duas rastas mais ásperas, das quais eu só gosto porque são tuas, e porque gosto que sejas irreverente e tenhas caracóis e rastas e me digas não quando eu preciso.

Que me digas não quando preciso e sim quando mereço, e que me abraces nas dunas e discutas se as três marias são as três marias ou talvez as sofias de ante-ontem. Porque não quero ter sempre razão.

Não tens uma carrinha pão-de-forma – lá está, não podes ser perfeito – mas quando perdemos as chaves do teu carro sem nome na areia e rimos que nem perdidos porque não as encontramos, e depois porque as encontramos, isso não importa. Be real.  

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Andorra la Grande – Diário de uma Viagem

From Beja to Andorra, with Love 

Rendidos às evidências e às contas da Marina, partimos para a nossa aventura na neve numa fantástica carrinha de 9 lugares, sobre cuja marca não conseguiria adiantar nada, não fossem as exclamações indignadas de todos os seres masculinos e alguns femininos (uma Volkswagen, pá!!).

A rádio era fraquita, maioritariamente rádio rocha (kkrrrcchhhh- with youuuu...krc krc babeeeey...chchhhh), e um CD de Coldplay em loop, mas não havia mal, enquanto houvesse boa disposição, jogos de capitais e animais, chamuças, panados, empadas, pão, pupias e queijo da serra.

As chamuças, no entanto, não acharam aclamação geral, e é com elas que começo a compilação de frases do dia, anónimas: “Nã gosto disto, parece que tou a comer um marroquino!”

Entre tosses e ressonos mais ou menos elegantes, não conseguimos avistar “o povo que vive nas rochas, e que se chama trogloditas” que o nosso Gonçalo tanto nos prometeu, mas, felizes, avistavamos elevações cada vez mais escarpadas e algumas já cobertas de neve.

A partir de Andorra La Vella as coisas começaram inclusivé a complicar-se, tendo que ser adquiridas e postas nylons-para-a-neve custando caros dinheiros numa bomba da gasolina (não recomendo fazer isso). As raparigas colocaram os nylons nas rodas e os rapazes ficaram a ver (chiu, caluda, o diário é MEU eu é que mando!).

 Assim equipados, vencemos a montanha com apenas um patino, que deixou o nosso ToyPi (também conhecido por ToPin) profundamente apreensivo e de tal ordem cuidadoso que julgámos não chegar ao nosso destino, pois se ele fosse mais devagar do que aquilo que ia, era de marcha atrás. Mas em legitima defesa também tenho de dizer que foi com Beja-Power que subimos a rua do nosso apartamento, na qual já várias carrinhas semelhantes tinham fraquejado!

O nosso apartamento ficava localizado na faixa de Ganza (imaginem o porquê do nome), um corredor impestado (isto não é uma palavra, mas adequa-se) de suor e enfim... À chegada iniciou-se então a epopeia dos banhos: Toma Inês. Gonçalo apanha água fria. Restantes não tomam. 

Dia 1 da nossa missão

Levantámo-nos cedo, com a ideia de ir “num instante” buscar os materiais de ski e snowboard, mas tal não se verificou.

Horas mais tarde, lá seguimos para as pistas para uma primeira abordagem à posição em cunha, que o insecto da neve – uma espécie de metamorfose tipo Pokémon: ToyPi evolui para Snow Insect – rapidamente aprendeu.

A partir daí, não mais quis sair das pistas verdes, que descia em cunha perfeita, com os seus fantásticos óculos, e olhares desconfiados para as manchas de sangue, que conspurcavam a alvura virginal da neve, e testemunhavam o triste fim de outros da sua espécie. Por vezes verificava-se a remoção total das patas-da-neve, e a progressão do insecto na sua versão alentejana pelas pistas verdes. (Chiu, que o diário é meu e eu é que escolho a cor!).

Tomámos o nosso primeiro lanche de bocadillos (o que soa muito espanhol e exótico, mas são sandes da Pans) e perdemos o telemóvel da Alice e os cupões dos restantes bocadillos da Marina: Já prometia! Gonçalo o Vermelho presenteou a neve imaculada com os seus conteúdos gástricos, nada acudido pelo insecto da neve que se justificou com a seguinte frase do dia: “Não ajudo não, senão também me grégo!”.

Descobrimos que o Gin do Happy Hour custa 8€, e o serviço 3€. Not so Happy.

Daí nos dividimos em dois grupos, para compras e banhos. Gonçalo toma de água fria mais uma vez. O jantar foi o clássico muy estudantil: spaghetti carbonara, cuja elaboração foi dificultada pelo fogão eléctrico que tem um potencial de acção quase inutilizável, que implica 2 horas de preparação para aquecer.

O repórter fiel adormece de cansaço merecido (euzinha linda a dormir) e é alvejado com uma toalha no focinho, e consoante certas pessoas, emite sons vagamente humanos. (calúnia, na minha opinião).

A empiriquitação e as bebidas aprés ski no quarto demoram tanto tempo que alguns de nós adormecem maquilhados (não vou dizer nomes, mas não foi o António Triti).

Os sobreviventes deslocaram-se até um bar de gays, de seu nome Billboard, pleno de hobbits libidinosos. 

Dia 2 da nossa missão 

Levantamento tardio. Não sabíamos que o tempo iria piorar drasticamente, senão teríamos aproveitado mais.
Dois de nós foram os absolutos reis do ski, não vou dizer nomes, mas foram uns bosses e desceram uma pista preta com uma classe e estilo ainda por igualar!

Descobrimos que os andorrenses (o gentílico deste microestado também pode ser andorrano ou andorriano) nesta zona do país comem comida esquisita, há poucos congelados e frutas/legumes, e o nosso fogão não permite fritar carne.

Gonçalo perde a carteira toda, com 40€ e os documentos (se é para ser, é para ser) e somente os rapazes se sentem capazes de ir sair para ver mais rapazes, na noite de Pas de la Casa.

Dia 3 da nossa missão 

Os Antónios manifestam grande dificuldade em acordar. Creio que voaram acusações graves do género de “vocês são extremamente maçadoras” e outras mentiras.

Dores de garganta e tosse mais ou menos generalizada, com excepção do suricata carraceiro, que é fininho, mas nada lhe pega.

Estava algum nevão, e os óculos embaciavam nojentamente. Levámos ao cabo uma busca infrutífera pela carteira perdida, tentámo-nos consolar com o jogo PT-Equador (não funcionou, perdemos), e entre angulas falsas, outras latas, e torradas com azeite muito se conversou, sobre a benzoquice bejense e a chunguice algarvia. Um certo Dedão e outros “Bazoffes” fizeram aparições repetidas.

No Havana Club, no qual se encontravam muitos homens, tivemos o (des)prazer de observar um casal de tendências pornográficas, destituído de vergonha, que de resto contribuiu para o gáudio do nosso Tritimix, como podemos confirmar através de inegável prova fotográfica.

Houve quem afirmasse que o Sr. Pinto fazia jus ao seu estilo de ski, e também bailava como um robocop. Abstenho-me desse assunto, até porque após beber um baileys comecei a achar que o material masculino no bar estava a ficar mais interessante, e antes de começar a apalpar algum dos nossos meninos, resumi-me à abstinência.
Outros não o fizeram, e uma personagem de t-shirt branca insistia na dança das mãos moles, enquanto nos presenteava com close-ups dos seus sovacos. Lherk.

Frase do dia: “Eu até há duas semanas podia dizer que nunca tinha andado à porrada. Mas não é que se meteram comigo e me deram uma punhada?!”

Dia 4 da nossa missão 

A comunicação com a faixa de Ganza revela que o tempo está pior mesmo.
Tempestades de neve que colam os passarinhos às vidraças.
Estradas cortadas.
Previsão: NEGRO.
Ponto positivo: encontrámos a carteira do Gonçalo, ele é realmente um lucky child.
Ponto assustador: Polícia afirma que aquela tarde é a nossa última chance de abandonarmos Pas de la Casa. Arrumações frenéticas, as ratazanas tentam abandonar o navio, mas: Loja de skis fechada.
RP da meganeve e senhora da recepção contradizem os polícias, afirmando que o melhor é ir no dia seguinte.
3 horas de escavações arqueológicas para desenterrar a carrinha – ou melhor, desennevar a carrinha – para a piça, passe a expressão. Custou especialmente à minha pessoa, uma vez que fiz a maior parte do trabalho junto da carrinha, sem nunca me deixar vencer pelo cansaço ou o frio, e após ter feito uma caminhada de extremos, à Bear Grylls, pelo nevão, em busca de alimento. (Chiu, que o diário é meu e eu é que mando).

As pás necessárias para a busca da carrinha perdida foram emprestadas a grande custo, sob entrega dos BIs e quase exigência de uma caução... Compra de correntes-da-neve a uma fração do custo dos nylons da gasolineira, gasto de um quarto de depósito para desatolar a fiel carrinha.

Arrumação variada de todo o material de ski e snowboard entre os cacifos, o quarto e a loja fechada, com várias partidas de mikado de bastões. Algumas pragas. Estalactites de ranho em diversas pencas, devido a temperaturas de -11 graus.

Frase do dia: “Já me peidei tantas vezes dentro destas calças que já me parece que cheiram mal cada vez que me mexo...”

Tentativa de redenção através de jantar fora. Fail épico. Fondue apresenta-se como um f*dão à moda europeia, como só me lembrava dos tempos do meu interrail, ascendendo à soma astronómica de 147.77€ por uns bocadinhos de vaca e um queijo com álcool etílico, o qual ninguém conseguiu consumir nem com a melhor das vontades e muito espírito aberto (palavra de honra que tentei). 12€ em Iceteas, e um atendimento antipático que parecia achar que atirávamos o pão ao chão de propósito.

Dia 5 da nossa missão 

(Não me perguntem qual é a missão, estava nisto à 5 dias e ainda não sabia. Acho que não concretizei.) 

Alvorada na ausência de electricidade devido à actividade de parasitas nocturnos que não se ralaram nada com as necessidades de sono dos “nosotros” e dos “ninhos pequenhos”.

Quando finalmente temos luz verde para descer a montanha, fazemo-lo com algum alívio, e, lamentavelmente, sem o tlm do Triti. Somos empatados horas a fio numa fila de cagalhões da pradaria, antes de finalmente chegar a Andorra la Vella.

Sobre as termas, poder-se-ia escrever um capítulo à parte, mas nada direi. De acordo com o Sr.Pinto, “What happens in Caldea, stays in Caldea”, mas o que é certo é que a metade do grupo que optou por ir às compras e não às termas (Lichia, o Suricata, Gonçalo o Vermelho a Marina-sem-alcunha-parva) o achou manifestamente mais bem-disposto após se demolhar nos vários pisos do “centro termolúdico más grande de Europa en la montana”.

Triti, em estado de pós relax termal apresenta uma condução mais perigosa, bate num pilar, atravessa-se numa rotunda (sob os urros de indignação do Gonçalo), e quase atropela um peão (sob os urros de indignação do insecto das termas).
É deposto na hora do seu cargo de condução, e armazenado no banco de trás.

Não consegui comprar torrão blando para ninguém – nem para mim, o que admitidamente me deixa mais triste – e descobri que sim, em Andorra, para além de ser um paraíso fiscal, se podem comprar Leathermans a 31.50€. Não vou é falar do tamanho deles, mas deixem-me dizer-vos que não davam para castrar um grilo. Rumamos a Portugal, sem ser revistados na fronteira...tshei, e só de pensar que podíamos ter ido cravados em volumes de tabaco, garrafas de álcoois e bubidas e caçadeiras ilegais e ilegalizáveis....*suspiro*...

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Cheia de Penas me Deito?

Alguém me disse que a pena é um sentimento que detesta, que não quer sentir. Como se se tratasse de algo indigno, condescendente, sujo e miserável. Fiquei a pensar nisso.

Fui ver ao dicionário, e, uma vez que neste caso claramente não se trata daquela pena que tem uma haste queratinizada e cobre o corpo dos pássaros, escolhi estas definições:

pena |ê| 
(grego poinê, -ês) 
s. f.

2. Grande sofrimento psicológico. = DESGOSTO, DÓ, TRISTEZA
3. Sentimento provocado por sofrimento alheio. = COMPAIXÃO, DÓ, LÁSTIMA

Nada que não soubéssemos já, digo eu. Mas assim sendo, se a pena é aquela capacidade que temos de nos condoer com a situação alheia, não será ela também muitíssimo próxima da empatia?

Quem me ensinou grandes lições de empatia foi a minha mãe, que a cada vez que eu ou os meus irmãos voltávamos da escola, a contar alguma situação do quotidano cruel das crianças, a atitude parva de x, o desconhecimento hilariante de y, o erro idiota de z, nos respondia invariavelmente “Mas já pensaste que xyz não sabe? Que nunca ninguém lhe deve ter explicado, e que com certeza se ficou a sentir muito mal por vocês gozarem todos?”

E nós reagíamos com impaciência. Frustrados na nossa tentativa de provocar o riso com uma historieta lá da escola, e porque aos nossos olhos os colegas não podiam, de repente, assumir o papel de mártire: continuavam a ser os nossos colegas tolos... Eu reagia com um revirar de olhos e um “mã-ãe”, e ficava a pensar. E às vezes tinha pena. (E no dia a seguir tentava ser mais simpática, e a criatura em causa gozava com as minhas roupas alemãs, porque miúdos são miúdos...)

Mas lá está a pena. Não decadente e reles, como uma côdea de pão atirada de má vontade, por vergonha de não dar nada (e agora vou fazer um esforço por não dizer “dourada e quente de amor universal, senão podem me pôr no manicómio), mas de compreensão e carinho por outra criatura. “Before you judge someone, walk a mile in their shoes” - e sem julgar os sapatos, de preferência.

É que a falta de empatia é triste. E não é a boa educação adquirida que a compensa. Posso ser perfeitamente bem-educada, e continuar a ser muito pouco empática. É não perceber quando é que uma piada súbtil está a magoar, apesar de a pessoa se rir. É aquele momento de rispidez que não precisava ser público. É uma palavra ou um gesto leviano. Não precisa ser por mal, basta não... sentir empatia.

Com isto não quero dizer que devíamos andar cheios de lágrimas nos cantos dos olhos a oferecer paninhos quentes uns aos outros. Mas que se calhar ser amigo por vezes significa defender o outro mesmo quando sabemos que ele não tem razão.

Na minha opinião, a pena é um sentimento que nos faz humanos, no sentido mais belo da palavra. (Se é que ainda sobra algum sentido belo). A pena de hoje pode ser o carinho de amanhã, e a palha salvadora depois de amanhã. Não é por nascer de pena que um acto e menos valido. Já todos fomos, em alturas diferentes da nossa vida, destinatários e emissores de pena, nem sempre fundamentada, talvez, mas isso não nos faz desprezíveis ou fracos, mas sim importantes.

Pobre aquele que não tem ninguém que se condoa com ele. Há que saber é como materializá-la. Não queremos criar desgraçadinhos, e mais vale ensinar a pescar do que dar um peixe, mas ainda que isso seja verdade, há dias em que nada sabe melhor do que chegar a casa e ter um peixe na mesa – e logo podemos ir pescar no dia a seguir.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Breves...

Aquele pequeno momento em que acordamos, e temos perfeita noção que daí a escassos segundos nos vamos recordar de qualquer coisa horrível, que está ali, mesmo à margem da consciência.

E enquanto ainda pairamos no limbo de doce oblivion, só nos ocorre: Me*da, não quero nada lembrar-me de... e ZAU! A porcaria que temíamos atinge-nos com toda a sua realidade nojenta, e já não dá para estar feliz e quentinha na cama.

Já há muito que não tinha um momento destes.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Os conselhos do Winston 1

O Winston por vezes lembra-me o Bruno Aleixo. Sim, aquele ursinho irritante (é este o momento em que os fãs de Starwars reviram os olhos, pois o bicho chama-se um eewoky ou lá o que é) ao qual os nossos humoristas nacionais tiveram de acrescentar uma cabeça de cão, por razões de copyright relacionadas com “dois americanos, o Jorge, e o Lucas”.

Porque e que eu digo isto? Maioritariamente porque ele tem uns olhinhos de semelhante penetrância, e, depois, porque dá uns conselhos de semelhante…falta-me a palavra…semelhante falta de nexo.

Assim, vê o mundo à sua imagem, eu passo a vida a ouvir os seus pensamentozinhos irritantes, e, enfim, há dias em que me irrito, e há dias em que dá vontade de rir.
No outro dia encontrava-se (amuado) enroscado no sofá, com uma das suas numerosas tias, que sofrera recentemente um desgosto amoroso, estando adequadamente miserável, quando avançou com o seguinte diálogo:

W: - O Úinston tá triste.

Titi: - Pois, a titi também está triste…

W: - Também perdeste o Frisbee?

Titi: - Foi mais ou menos isso…mas eu gostava muito do meu “Frisbee”.

W: - Não se pode ficar assim por causa de um frisbee. Depois a mãe traz mais. O Úinston já teve muitos…

Titi (crescentemente angustiada) : - Pois, mas…

W: - O problema é ficar agarrada só a um frisbee…! Não pode! Tens de ter muitos frisbees, muitas bolas, pelo menos um kong, e vários outros toys, tipo cordas e churros. Assim quando perdes um, não ficas nesse estado.

Titi: - Muitos frisbees???

W: - Sim sim. Aposto que o teu nem era nada de jeito. O meu primeiro era de plástico, não voava muito bem, magoava as gengivas, e ainda assim eu achava que era o melhor do mundo, imagina. O teu magoava as gengivas?

Titi: - Magoava várias coisas. Das gengivas não me lembro…e agora perdi-o.

W: - Era de plástico. Se magoava, era de plástico. Tens de ter um de borracha, esses é que são bons! Se o perdeste, deixa, logo outra titi o apanha, e, se for suficientemente parva ainda se diverte com ele!

Titi: - *Soluços de angústia*

E assim a criatura põe-me as amigas mais deprimidas, em vez de ter o efeito calmante e animador que alegadamente os cães têm sobre a psique humana…

As coisas que nos unem: Pelicula Aderente

Como já dizia o grande humorista estado-unidense George Carlin, há que olhar as pequenas coisas que nos unem, e não as grandes coisas que nos separam, e sob este mote vou começar a analisar várias circunstâncias comuns à vida de quase todos nós, começando, não pela cereja no topo do bolo, mas sim pela película aderente por cima da cereja no topo do bolo.

Isto por causa de uma coisa que li, recentemente, num estado de uma amiga, na nossa infame rede social. (que nos faz gordas e cheias de celulite, uma vez que não temos tempo para ir jogar futsal ou fazer pilates, mas temos horas de tempo útil a serem desperdiçadas a ver fotos e a ler as ejaculações mentais de um monte de pessoas às quais não falaríamos se nos cruzássemos com elas na rua.) Mas divago: não quero entrar em modo “hate”, estava-me a sentir pacífica e a querer unificar a humanidade, prossigamos. E por vezes há pérolas da inspiração, pelos vistos. Concentremo-nos nisso!

Dizia então:

De-tes-to película aderente... especialmente quando ganha vida própria e se encaracola toda e fica intratável...
(o que também pode ser falta de jeito, mas prefiro pensar que não e acusar a dita película...) *


E, ali estava. Em duas ou três pequenas frases, uma dificuldade técnica comum a toda a humanidade – ou pelo menos a toda a humanidade dita civilizada, utilizadora de película aderente. Uma invenção que não parece ter função útil para além de nos irritar e tornar mais profunda a pegada ecológica com que esmagamos a tenrinha relva metafórica que reveste o nosso planeta.

Temos várias opções: Ou somos neat-freaks que conservam a sua película num dispensador xpto que parece a boca de um crocodilo extremamente braquicéfalo, e que tem a desvantagem de não ser móvel, desvantagem essa, que para uma proto-veterinária se torna grande. Isto uma vez que as coisas que por vezes quero película-aderentar podem ser todo o tipo de objectos/organismos/excreções que a minha mamã - apesar de hippie e free-spirit - não almeja visionar na sua cozinha… (Atão acreditam que não me deixou fazer a minha coporocultura no frigorífico?? Nem enrolada em 3 sacos… é um obstáculo ao avanço da ciência a malvada!)

Opção dois: Deixamos o rolo de película no interior da caixa de papelão em que vem, que tem uma espécie de serrilha de dentículos, semelhante àquela que alguns parasitas intestinais ostentam na sua cápsula bucal (perdão, vou-me já controlar, é o curso, desculpem). Mas aí geralmente a ponta é engolida, e depois a caixa amachuca-se, e, enfim, acabamos por ter de desmontar tudo e recorrer à opção 3),

O rolo nú e crú: Muito razoável. Se é para lutar, que seja honestamente, cara-a-cara. Recipiente contra película. Os adversários medem-se. Rolo na diagonal. Tenta-se um rasgar uniforme. Obtém-se um esticar elástico que termina num rasgão elástico que se estende exactamente na direcção errada, e depois não há como parar. Começou, é para acabar. Os dois. Lá fora. Resultado: Um triângulo distendido e cheio de dedadas que não chega para cobrir o que queríamos preservar, e que por fim e amachucado numa bola frustrada e opaca, que vai para o saco amarelo.

Menos algumas vezes. Algumas vezes conseguimos arrancar o pedaço ideal, mas é uma satisfação efémera, que dura exactamente até, com mãos carinhosas, o tentarmos alapar às bordas do recipiente, só para descobrir que NÃO ADERE!! Não adere. A **** não adere. A plague on thy house! Não mereces o nome que te deram.

É a película e o seu primo de alto gabarito, a folha de alumínio. Snob pretensioso. Sempre com a ponta agarrada e quando se puxa não é a camada certa, e depois começa a desenrolar só uma pequena porção, que quer desenrolar até ao infinito, e…e…e …ARGHHHHHHHH….

domingo, 25 de dezembro de 2011

As mulheres são todas iguais (?)

Eu e a minha estúpida mania de fazer zapping no rádio porque só dão anúncios enquanto conduzo, enquanto olho para o retrovisor pra ver quantos carros tenho atrás de mim, baixo a pála do sol e vejo se não tenho borrões nos olhos, e entretanto mexo no cabelo, e dou uma olhada ao telemóvel e, cúmulo dos cúmulos... como um Kinder Bueno... que entretanto partilho com o banco do carro e as minhas calças lavadinhas...

Este pequeno parágrafo no FB de uma boa amiga deu-me que pensar. Há uma coisa que eu detesto que me digam: “Vocês são…”. É um bom início de frase para me despoletar. Vocês quem???

A resposta geralmente é “vocês, as mulheres…”. Pois bem, eu não sou AS mulheres. Na melhor das hipóteses sou UMA mulher, e se há coisa que não me cai bem é ser generalizada com uma infinidade de seres tão díspares uns dos outros quanto…sei lá…quanto carros! Isso, carros. Aí está qualquer coisa com que vocês, os homens, se devem conseguir identificar: Dizer que “as mulheres” são iguais, é como dizer, a quem quer comprar um BMW: “Oh, compra antes um Fiat Panda, é a mesma coisa, e fica-te mais em conta!”.

Mas esperem…ups…acho que estou a cair no mesmo erro! O que eu quero dizer é que eu sou um…um…sei lá, um Land Rover com alguns defeitos na transmissão, e não tenho nada a ver com um Ford Ka, ou com um Micra a não ser o facto de ter 4 rodas. A maior parte das vezes, pelo menos. Depois, há alturas em que me sinto num parque de vendas da Peugeot, recheado de modelos absolutamente iguais. Sim, porque há alturas em que, afinal de contas, somos um bocadinho iguais.

Concordo que a pala do sol, com o vanity mirror no interior, é dos acessórios mais importantes no interior de um carro, por exemplo. Vivo lindamente sem ar condicionado, mas nada me faz mais confusão que baixar uma destas palas e não ver NADA. Por momentos dá-me aquele choque de sentir que fiquei invisível ou invisual, e depois uma frustração em nada proporcional à situação: ELPE! E se estou com borrões nos olhos…? Ou com pêlos no nariz? (Não que eu consiga fazer alguma coisa aos pêlos, enquanto conduzo, se os tiver, mas sempre me consciencializo, certo?) Começo logo a encontrar borbulhas que precisaria, imediatamente, de verificar ao espelho…

E a questão do telemóvel… grande chis-dê, em vocabulário afeicebucalhado! Por vezes chega a parecer um ritual: Zapp no rádio – espreita o espelho – vê o telemóvel – zapp no rádio … E é ridículo: Temos o raio do engenho a vibrar, não sentimos vibração, ergo: Não temos nada de novo nele, não vale a pena carregar para confirmar. E ainda assim confirmamos. E depois espreitamos o espelho, para ver se tá tudo no sítio, caso nos cruzemos com a pessoa que não nos está a mandar mensagens… E o pior de tudo, é ter noção perfeita de quão ridículo isto tudo é. Sabemos que nos maquilhámos em casa, que estava tudo bem, e sabemos que não há mensagens novas no telemóvel.

Mas, já agora, vamos dar uma vistinha de olhos… e um toque na franja.

PS: Fiquei mais descansada agora: sempre há uma parte crucial do texto da minha amiga com a qual não me identifico nada: As calças lavadinhas. Isso eu de facto não tenho, nem quase me lembro o que seja. Afinal, sempre somos todas diferentes umas das outras. Dois pontos – Tracinho – Dê.